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segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

O período da Epifania

A Epifania marca o encerramento do período natalino, tendo raízes profundas na tradição da Igreja Oriental. Neste dia especial, conhecido como o “Dia da Luz”, a igreja celebra tanto o nascimento quanto o batismo de nosso Senhor. Como bem destaca Just, 
“a Epifania e o Natal estão intimamente ligados pelo tema da luz. A luz traz clareza em meio à escuridão. A luz de Cristo, que nasceu em Belém, agora brilha durante todo o período da Epifania, quando o menino Jesus se manifesta a nós como o Messias e o Salvador. No tempo do Natal, o Advento prepara o clímax do Natal, que continua no período da Epifania” (JUST, 2008, p.211).
Na tradição ocidental, a igreja escolheu destacar a visita dos Magos como o ápice da Festa da Epifania após a decisão de celebrar o Natal em 25 de dezembro. Esta festa, uma das mais antigas do ano litúrgico, é tradicionalmente celebrada no dia 6 de janeiro. Inicialmente, a Epifania era observada como o nascimento de Jesus, fundamentada em uma teoria antiga que vinculava sua morte em 6 de abril, resultando no dia de seu nascimento nove meses após sua concepção, ou seja, em 6 de janeiro.

Estudiosos sugerem que a celebração da Epifania teve origem no segundo século, sendo praticada inicialmente na Ásia Menor e no Egito. Assim como o Natal, sua data encontra inspiração em um antigo festival pagão de solstício, que foi substituído por práticas cristãs.

O período da Epifania, com sua riqueza simbólica, desvenda a identidade do Menino desde o batismo de Jesus nas águas do Jordão, quando o Pai proclama com amor: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mateus 3.17). Essa jornada culmina na Transfiguração, onde a igreja vislumbra a glória da ressurreição na majestade de Cristo no topo da montanha, enquanto o Pai reafirma suas palavras do batismo: “este é o meu Filho amado, em quem me agrado; escutem o que ele diz!” (Mateus 17.5). Assim, a Epifania é envolta da voz do Pai proclamando Jesus como o Filho.

Ao longo desse período, somos conduzidos pelos ensinamentos e milagres de Jesus, revelando que o Criador veio à sua criação para inaugurar uma nova era. O primeiro milagre, a transformação da água em vinho no casamento em Caná, simboliza a manifestação da glória do Senhor durante a Epifania. Esse evento, nunca antes testemunhado, retrata o Messias encarnado, o noivo que se aproxima de sua noiva, anunciando que a celebração sem fim está prestes a começar. Essa festa eterna, simbolizada pelo casamento divino, revela o amor sacrificial do Cordeiro-Redentor por sua noiva, o povo de Deus.

Assim como no Natal, a cor da Epifania é branca, a cor da divindade, pureza e alegria. O Primeiro Domingo após a Epifania geralmente é celebrado como o Batismo de Nosso Senhor. Quando isso ocorre, os paramentos brancos continuam a ser usados. Na véspera do Segundo Domingo após a Epifania, os paramentos são trocados para verde, já que esses domingos, até a véspera da Transfiguração, são considerados “tempo comum”. Para a Festa da Transfiguração, os paramentos são novamente trocados para branco.

O período da Epifania geralmente varia entre 4 e 9 domingos, dependendo da data em que a Páscoa será celebrada naquele ano. Este período começa com o Dia da Epifania, em 6 de janeiro, e se estende até a véspera da Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas.

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Festa de São Lucas, Evangelista - 18 de outubro


Hoje, a Santa Igreja celebra com grande alegria o a festa de São Lucas, Evangelista.

São Paulo uma vez chamou Lucas de “o médico amado” (Colossenses 4.14). Ele era, portanto, um médico do corpo, mas ainda mais a Igreja o honra como médico da alma. Além de acompanhar São Paulo em algumas de suas viagens missionárias, São Lucas escreveu mais de um terço do Novo Testamento. Ele pesquisou cuidadosamente e organizou um relato detalhado da vida de nosso Senhor Jesus Cristo, o terceiro Evangelho canônico. Também investigou a propagação do Evangelho, desde Jerusalém, passando por toda a Judeia e Samaria, até os confins da terra (Atos 1.8), incluindo suas próprias memórias do tempo que passou com Paulo.

O Evangelho de Lucas é único em várias características. Primeiro, ele começa com informações que só poderiam ter vindo da própria Virgem Maria. Ele sugere isso quando menciona que Maria “guardava todas estas coisas no coração” (Lucas 2.51), preservando as palavras e acontecimentos que inicialmente não compreendia. Ela deve ter aberto seu coração para Lucas e contado a ele os eventos em torno do nascimento de nosso Senhor. Assim, é apenas no Evangelho de Lucas que conhecemos os detalhes da anunciação (Lucas 1.26-38), da visitação (Lucas 1.39-45), da concepção e nascimento de João Batista (Lucas 1.5-25; 57-66), a viagem a Belém (Lucas 2.1-5), a manjedoura e os pastores (Lucas 2.6-20), os anjos e seu cântico (Lucas 2.13-14), Simeão e Ana (Lucas 2.25-38), e a ida a Jerusalém quando Jesus tinha doze anos (Lucas 2.41-52).

Segundo, o Evangelho de Lucas contém ensinamentos únicos de Cristo: somente lá encontramos a parábola do Bom Samaritano (Lucas 10.25-37), a história do rico e Lázaro (Lucas 16.19-31), o filho pródigo (Lucas 15.11-32), e o fariseu e o publicano (Lucas 18.9-14). Em Lucas, Cristo adverte persistentemente sobre os perigos da confiança nas riquezas (Lucas 12.13-21; 16.13) e destaca o papel das mulheres. Maria sentada aos pés de Jesus para ouvir seus ensinamentos aparece apenas em Lucas (Lucas 10.38-42). Lucas literalmente enquadra seu Evangelho com o templo de Jerusalém, começando e terminando lá (Lucas 1.8-9; 24.52-53), e dele a Igreja tirou diversos cânticos para o culto, como o Ave Maria (Lucas 1.28), o Magnificat (Lucas 1.46-55), o Benedictus (Lucas 1.68-79) e o Nunc Dimittis (Lucas 2.29-32).

O segundo livro de Lucas, o Livro de Atos, relata a propagação do Evangelho após a Ascensão até a prisão de Paulo em Roma (Atos 1.1-2; 28.16-31). Ele nos fornece informações inestimáveis sobre tudo o que o Senhor exaltado continuou a fazer e a ensinar por meio de seus apóstolos. Assim como no Evangelho, Lucas destaca especialmente a obra do Espírito Santo (Atos 2.1-4) e a alegria constante que as boas-novas trazem ao libertar as pessoas da escravidão do pecado e do medo da morte (Lucas 4.18-19; Atos 13.38-39). O testemunho alegre de Lucas sobre a vida de nosso Senhor e a obra do Espírito na Igreja é, de fato, um dos maiores tesouros da Igreja, e por este homem que pesquisou e reuniu essa história para nós, damos graças a Deus neste dia!

Oração do dia
Todo-poderoso Deus, nosso Pai, teu bendito Filho chamou o médico Lucas para ser um evangelista e médico das almas. Concede que a medicina curativa do Evangelho e dos sacramentos possa afastar as doenças de nossas almas a fim de que possamos sempre te amar e servir com corações voluntários; através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Cor litúrgica: Vermelha

Leituras Bíblicas:

Primeira Leitura: Isaías 35.5-8
Salmodia: Salmo 147.1-11 (antífona vers.12)
Segunda Leitura: 2Timóteo 4.5-18
Santo Evangelho: Lucas 10.1-9

Na enfermidade, morte e cruz
    relembra: Meu Senhor Jesus
minha alma aflita há de curar,
    e nisto devo me fiar. (HL 375.6)
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Texto e oração traduzido e adaptado de Celebrating the Saints: The Feasts, Festivals, and Commemorations of Lutheran Service Book escrito pelo Rev. William Weedon e publicado pela Concordia Publishing House. Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A letra do hino é do Hinário Luterano da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB).

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Comemoração de Agostinho de Hipona, Pastor e Teólogo - 28 de agosto

 

Agostinho, Bispo de Hipona, 430

Aurelius Augustinus, geralmente conhecido como Santo Agostinho, nasceu na cidade de Tagaste, hoje conhecida como Souk Arrhas, na Argélia, em 13 de novembro de 354. Sua mãe, Mônica, era cristã e tentou criá-lo na fé cristã, mas sem sucesso. Ele frequentou a escola em Cartago, onde foi um estudante sério, mas acabou se convertendo ao maniqueísmo, uma religião dualista de origem persa que era popular na época. Ele teve um filho com uma concubina, a quem deu o nome de Adeodato ("Presente de Deus").

Em algum momento depois de 383, Agostinho foi para Roma, onde ensinou retórica e continuou seus estudos. Em 384, ele foi para Milão para lecionar, e lá foi gradualmente atraído para a fé católica. Primeiro, ele abandonou o maniqueísmo para estudar o neoplatonismo e, depois, caiu sob a influência de Santo Ambrósio, o Bispo de Milão. Após uma grande luta interna, suas dúvidas foram dissipadas, e Ambrósio o batizou na Vigília Pascal de 387. Sua mãe faleceu enquanto os dois estavam a caminho de volta ao Norte da África. Lá, Agostinho viveu uma espécie de vida monástica por vários anos com um grupo de amigos. Em 391, durante uma visita à cidade de Hipona, foi escolhido contra sua vontade pelos cristãos locais para ser seu pastor. A partir de então, Hipona se tornou sua residência até sua morte. Ele foi ordenado sacerdote e, quatro anos depois, consagrado bispo, tornando-se o Bispo de Hipona, a segunda cidade mais importante da África em termos eclesiásticos, que hoje não existe mais. Agostinho serviu como bispo por trinta e cinco anos. Mesmo com muitas viagens e responsabilidades, ele produziu uma vasta quantidade de escritos.

Santo Agostinho foi um dos grandes mestres da Igreja, e pensadores cristãos, tanto católicos quanto protestantes, reconhecem sua importância como teólogo e defensor da fé cristã. Entre seus muitos escritos, os mais famosos são as “Confissões” (c. 400) e “A Cidade de Deus” (após 412). As “Confissões” narram sua vida e conversão; “A Cidade de Deus” contém suas visões sociais e políticas, motivadas pelo colapso de Roma; uma defesa do cristianismo; e uma visão da sociedade cristã ideal. Ele também escreveu várias obras mais puramente teológicas, incluindo ataques ao maniqueísmo e polêmicas contra heresias como o donatismo e o pelagianismo. Alguns de seus tratados foram comentários sobre partes das Escrituras. Seus livros, sermões e cartas foram publicados em muitas línguas e edições, e há uma vasta literatura sobre ele. Ele estabeleceu a regra monástica de Santo Agostinho, e mais de um milênio depois, Martinho Lutero se tornou um monge da Ordem Agostiniana.

Os últimos anos de Santo Agostinho foram marcados pelo caos causado pela invasão das tribos vândalas no Norte da África. Cidade após cidade foi destruída, igrejas foram queimadas e o clero foi disperso. Durante o cerco dos vândalos a Hipona, em 430, Santo Agostinho foi acometido por uma febre e faleceu em 28 de agosto de 430, data em que é atualmente comemorado. Seu corpo foi posteriormente levado para a Sardenha e, no meio do século VIII, foi transferido novamente para a capital da Lombardia, Pavia, onde agora repousa em um esplêndido monumento de mármore na Igreja de São Pedro em Ciel d’Oro.

LEITURA

(De Confissões de Agostinho)

Quando essas severas reflexões me fizeram emergir do íntimo e expuseram toda a minha miséria à contemplação do coração, desencadeou-se uma grande tempestade portadora de copiosa torrente de lágrimas. Para dar-lhes vazão com naturalidade, levantei-me e afastei-me de Alípio, o necessário para que sua presença não me perturbasse, pois a solidão me parecia mais apropriada ao pranto. Alípio percebeu o estado em que me encontrava: o tom da voz embargada pelas lágrimas, ao dizer-lhe alguma coisa, havia-me traído. Levantei-me; ele permaneceu atônito, onde estávamos sentados. Deixei-me, não sei como, cair debaixo de uma figueira e dei livre curso às lágrimas, que jorravam de meus olhos aos borbotões, como sacrifício agradável a ti. E muitas coisas eu te disse, não exatamente nestes termos, mas com o seguinte sentido: “E tu, Senhor, até quando? Até quando continuarás irritado? Não te lembres de nossas culpas passadas”! Sentia-me ainda preso ao passado, e por isso gritava desesperadamente: “Por quanto tempo, por quanto tempo direi ainda: amanhã, amanhã? Por que não agora? Por que não pôr fim agora à minha indignidade?”

Assim falava e chorava, oprimido pela mais amarga dor do coração. Eis que, de repente, ouço uma voz vinda da casa vizinha. Parecia de um menino ou menina repetindo continuamente uma canção: “Toma e lê, toma e lê”. Mudei de semblante e comecei com a máxima atenção a observar se se tratava de alguma cantilena que as crianças gostam de repetir em seus jogos. Não me lembrava, porém, de tê-la ouvido antes. Reprimi o pranto e levantei-me. A única interpretação possível, para mim, era a de uma ordem divina para abrir o livro e ler as primeiras palavras que encontrasse. Tinha ouvido que Antão, assistindo por acaso a uma leitura evangélica, sentiu um chamado, como se a passagem lida fosse pessoalmente dirigida a ele: “Vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me”. E logo, através dessa mensagem, converteu-se a ti. Apressado, voltei ao lugar onde Alípio ficara sentado, pois, ao levantar-me, havia deixado aí o livro do Apóstolo. Peguei-o, abri e li em silêncio o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne”. Não quis ler mais, nem era necessário. Mal terminara a leitura dessa frase, dissiparam-se em mim todas as trevas da dúvida, como se penetrasse no meu coração uma luz de certeza.

- AGOSTINHO, Confissões.  A Conversão: Toma e lê! In Patrística: Santo Agostinho, Confissões. Editora Paulus.

Cor Litúrgica: Branco

Prefácio Próprio: A Santíssima Trindade

Leituras Bíblicas:

                + Primeira Leitura: Provérbios 3.1-7

                + Salmodia: Salmo 119.89-104

                + Segunda Leitura: 1Coríntios 2.6-10; 13-16

                + Santo Evangelho: João 17.18-23

 ORAÇÃO DO DIA

Ó Senhor Deus, luz das mentes que te conhecem, vida das almas que te amam e força dos corações que te servem, concede-nos força para seguir o exemplo de teu servo Agostinho de Hipona, de modo que, conhecendo a ti, possamos te amar verdadeiramente, e amando a ti, possamos te servir inteiramente – pois servir-te é a perfeita liberdade; através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

 —  As informações sobre história, cor litúrgica, prefácio próprio e leituras bíblicas da comemoração foram retiradas do livro Festivals and Commemorations: handbook to the calendar in Lutheran Book of Worship de Philip H. Pfatteicher, publicado pela Augusburg Publishing House, 1980. A Oração do Dia é retirado de Treasury of Daily Prayer, publicado pela Concordia Publishing House, 2008.