LITURGIA DA PALAVRA:
† Salmo: Salmo 84 (antífona v. 4)
† Epístola: Hebreus 2.14-18
† Santo Evangelho: S. Lucas 2.22-32 (33-40)
ORAÇÃO DO DIA:
“Venham, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou.”
“Pode-se mencionar, neste contexto, que quatro meninos faziam uma reverência diante do altar na igreja do castelo de Mansfeld durante as palavras ‘e foi feito homem’ (homo factus est), a fim de defender a fé contra o erro flaciano.” (Faith and Act, p. 21)
“devem inclinar-se ou ajoelhar-se quando são ditas as palavras do Credo Niceno: ‘E se encarnou pelo Espírito Santo... e foi feito homem’, expressando reverente admiração pela graça de Deus em tornar-se homem para redimir-nos.” (Ceremony and Celebration, p. 62)
“Ao recitar o Credo Niceno, o fiel pode inclinar a cabeça nas palavras ‘Deus’, ‘Jesus Cristo’ e ‘adorado e glorificado’. Mas, nas palavras ‘e foi feito homem’, pode fazer uma inclinação mais profunda, como sinal de respeito e adoração.” (Ceremony and Celebration, p. 111)
“O celebrante pode inclinar-se a partir da cintura nas palavras ‘e se encarnou’ e permanecer inclinado até as palavras ‘foi crucificado também por nós’; volta à posição ereta antes das palavras ‘sob Pôncio Pilatos’. Em algumas partes da Igreja da Confissão de Augsburgo, o celebrante apoiava as pontas dos dedos sobre o corporal e fazia uma leve reverência desde as palavras ‘e se encarnou’ até ‘e foi feito homem’.” (Conduct of the Service, p. 19)
“O celebrante pode inclinar-se a partir da cintura nas palavras ‘e se encarnou’ e permanecer inclinado até as palavras ‘foi crucificado também por nós’; volta a ficar ereto antes das palavras ‘sob Pôncio Pilatos’.” (Conduct of the Services, p. 41)
“Conta-se a história de um homem rude e grosseiro que, ao ouvir as palavras ‘e foi feito homem’ sendo cantadas na igreja, permaneceu em pé, sem fazer qualquer gesto de reverência nem retirar o chapéu. Não demonstrou respeito algum, ficando imóvel como uma pedra. Enquanto todos os demais se inclinavam devotamente ao confessar o Credo Niceno, o diabo aproximou-se dele e lhe deu um golpe tão forte que sua cabeça girou. E o amaldiçoou terrivelmente, dizendo: ‘Que o inferno te consuma, seu bruto! Se Deus tivesse se tornado um anjo como eu, e a congregação cantasse “Deus foi feito anjo”, eu me curvaria com todo o meu corpo até o chão! Sim, eu rastejaria dez côvados terra adentro! E tu, criatura miserável, ficas aí de pé como um pedaço de madeira! Ouves que Deus não se fez anjo, mas homem como tu, e permaneces imóvel!’ Seja essa história verdadeira ou não, ela está em plena harmonia com a fé (Romanos 12.6). Os santos padres queriam, com essa ilustração, ensinar os jovens a venerar o indescritível milagre da encarnação, a abrir bem os olhos e ponderar com atenção essas palavras.” (Luther’s Works, vol. 22, p. 105)
“Quando o celebrante pronuncia as palavras Et incarnatus est, ele apoia as mãos sobre o altar, fora do corporal, e se ajoelha sobre um dos joelhos. Ele não se levanta até terminar de dizer Et homo factus est. É melhor realizar a genuflexão de maneira lenta e completa do que apenas apoiar um joelho no chão.” (The Ceremonies of the Roman Rite, p. 49)
“Seria ainda apropriado ajoelhar-se nas palavras ‘e foi feito homem’, cantá-las com notas longas como se fazia antigamente, ouvir com o coração alegre a mensagem de que a majestade divina se rebaixou e tornou-se semelhante a nós, pobres sacos de vermes, e agradecer a Deus pela inefável misericórdia e compaixão refletidas na encarnação da divindade.” (Luther’s Works, vol. 22, p. 102)
“Ajoelhar-se é também expressão de adoração, por exemplo, nas palavras ‘e foi feito homem’ do Credo Niceno.” (Ceremony and Celebration, p. 61)
“E prostrou-se e o adorou.” Essa expressão não está limitada ao relato de São João sobre a cura do cego, mas aparece sempre que alguém percebe a divindade de Jesus. Essa reverência do Novo Testamento não é cerimonial: é uma reação espontânea, a resposta a uma epifania da graça. É como se a pessoa fosse lançada ao chão por um relâmpago de revelação. E nesse momento, inclinada diante de Cristo, ela vê mais do que todos os que estão em pé, e não encontra outra palavra melhor para responder ao que viu senão a palavra Creio.” (The Heresy of Formlessness, p. 90)
Homilia: “Até quando, Senhor?”
Apocalipse 6.9-11
“Que a graça do Senhor
Jesus Cristo,
o amor de Deus e a presença do Espírito Santo
estejam com todos vocês!” (2Co 13.13) Amém.
Estimados irmãos em Cristo,
Na semana passada nós celebramos a festa de São Bartolomeu,
apóstolo do Senhor. Hoje, celebramos o martírio de São João Batista. Vejam:
dois sábados seguidos em que a Igreja fala de sofrimento, perseguição e morte.
Dois sábados seguidos em que lembramos homens que foram fiéis até o fim. E o
que nós temos a aprender com eles? Muito! Porque a vida deles fala também da
nossa vida.
A pergunta que a primeira leitura de hoje, Apocalipse 6.1-5, traz
é esta: “Até quando, Senhor?” (Ap 6.10). Foi a pergunta dos mártires que João
viu debaixo do altar no céu. É também a nossa pergunta, não é? Até quando esse
sofrimento vai continuar? Até quando a dor? Até quando as lágrimas? Até quando
as injustiças? Até quando as doenças? Até quando as lutas dentro de casa, as
brigas no trabalho, as tentações que não nos largam?
Sim, meus irmãos, essa é a pergunta que brota do nosso
coração. Perguntamos isso quando vemos a família em crise. Perguntamos quando a
saúde não vai bem. Perguntamos quando olhamos as notícias do mundo e vemos
tanta violência. Perguntamos até mesmo quando sentimos o peso do nosso próprio
pecado, aquele pecado que insiste em nos prender.
E, às vezes, o coração fica cansado. Porque viver neste mundo
não é fácil. Como cristãos, somos chamados a nadar contra a correnteza.
Enquanto o mundo diz “não tem problema, todo mundo faz”, nós sabemos que não é
assim. João Batista foi preso justamente por isso: porque ele teve coragem de
dizer a Herodes que não era lícito viver em pecado. (Mc 6.18) Ele preferiu a
prisão e a morte a concordar com o erro.
E nós? Quantas vezes nos calamos? Quantas vezes aceitamos o
pecado dentro da nossa casa, no nosso jeito de viver, no nosso falar? Quantas
vezes deixamos de testemunhar o que é certo, só para não desagradar, só para
não enfrentar? É aí que percebemos que o martírio não é só lá fora, com espada
na mão. O martírio começa aqui dentro, no coração. Todos os dias precisamos nos
martirizar contra o pecado. Todos os dias precisamos morrer para as tentações.
Todos os dias precisamos dizer não à carne, não ao diabo, não ao mundo.
Mas graças a Deus, Cristo não nos deixou presos nesse
lamento. A resposta à nossa pergunta “Até quando?” não está no nosso esforço,
mas no que Deus já fez.
E aqui vem o consolo: esse martírio já começou no batismo. No
batismo nós morremos com Cristo. No batismo já fomos sepultados com ele (Rm
6.3-4). Ali aconteceu o nosso primeiro martírio: morremos para o pecado e
nascemos de novo para uma vida com Deus.
E por que isso é possível? Porque Cristo passou por um
martírio infinitamente maior por nós. Cristo foi preso, como João. Cristo foi
morto, como os mártires. Mas Ele venceu! Ressuscitou! E agora, ele mesmo é quem
nos dá a vitória, não pela força do nosso sangue, mas pelo sangue que ele
derramou por nós. Ele é o Cordeiro, o Sacerdote e o Rei, e nos une a si no
batismo. A nossa vida está escondida nele.
Isso não quer dizer
que agora a vida ficou fácil. Não! Pelo contrário. Ainda lutamos contra o
pecado. Ainda caímos. Ainda sofremos. Mas no batismo temos a certeza: já fomos
unidos à morte e à ressurreição de Cristo (Rm 6.5).
E aqui está a resposta à pergunta: “Até quando, Senhor?”. Os
mártires no céu perguntaram isso. Nós aqui na terra também perguntamos. E a
resposta de Deus é esta: até o dia em que o número dos seus filhos estiver
completo (Ap 6.11). Até o dia em que todos os eleitos forem reunidos. Até o dia
em que Jesus voltar. Até lá, Cristo mesmo nos cobre com a veste branca que já
recebemos no batismo. Até lá, Ele nos sustenta com sua Palavra e com sua Santa
Ceia.
Hoje, aqui no altar da nossa congregação, já nos reunimos com
aqueles que estão debaixo do altar no céu. A nossa liturgia é um ensaio da
eternidade, onde a dor não mais dirá “até quando”, porque Cristo já nos
responde: “Já estou contigo” (Mt 28.20).
Até lá, ele mesmo nos dá força para continuar testemunhando,
como João Batista e como Bartolomeu testemunharam.
E quando a morte chegar? Quando nossos olhos se fecharem, o
que vai acontecer? Aqui está a boa notícia do Apocalipse: não é o fim!
João Batista foi martirizado. Bartolomeu foi martirizado. Nossos entes queridos
também morreram, pessoas que tanto amamos. E se Jesus não voltar antes, algo
que nós tanto desejamos, porque queremos que todo sofrimento termine, nós
também vamos morrer. Mas essa não será a última palavra.
O Apocalipse mostra: nós não vamos ficar vagando pela terra,
nem vamos simplesmente dormir no nada. Nós seremos almas vivas diante do trono
de Deus. Almas que louvam, que cantam, que adoram o Cordeiro. Assim como os
mártires estão debaixo do altar, também nós estaremos seguros, guardados em
Cristo. Isso já é a vitória. Isso já é o descanso.
E um dia, o próprio Cristo nos chamará de volta do túmulo.
Assim como ele unirá a cabeça de João Batista ao seu corpo, assim também
ressuscitará João, Bartolomeu, você e eu, para vivermos com ele para sempre. O
corpo e a alma, reunidos e glorificados, vestidos de branco, na presença do
Cordeiro (Ap 7.14).
Por isso, irmãos, quando seu coração clamar: “Até quando?”, ouça a resposta do Cordeiro: “Estou contigo”. E siga firme, porque Ele já te vestiu de branco, já te alimenta com seu corpo e sangue, e logo, muito em breve, te chamará pelo nome. E você ouvirá: “Venham, benditos de meu Pai” (Mt 25.34).
Confiem nisso. Vivam nessa esperança. E sejam fiéis, como
João e Bartolomeu foram. Porque o Senhor promete: “Seja fiel até a morte, e eu
lhe darei a coroa da vida.” (Ap 2.10). Amém.
“A minha alma engrandece ao Senhor,47e o meu espírito se alegrouem Deus, meu Salvador,48porque ele atentoupara a humildade da sua serva.Pois, desde agora, todas as geraçõesme considerarão bem-aventurada,49porque o Poderoso me fez grandes coisas.Santo é o seu nome.50A sua misericórdia vaide geração em geraçãosobre os que o temem.51Agiu com o seu braço valorosamente;dispersou os que, no coração,alimentavam pensamentos soberbos.52Derrubou dos seus tronos os poderosose exaltou os humildes.53Encheu de bens os famintose despediu vazios os ricos.54Amparou Israel, seu servo,a fim de lembrar-seda sua misericórdia55a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre,como havia prometido aos nossos pais.”
Pelo contrário, vocês chegaram ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a milhares de anjos. Vocês chegaram à assembleia festiva, a igreja dos primogênitos arrolados nos céus. Vocês chegaram a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o sangue de Abel.