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quarta-feira, 5 de março de 2025

A Quarta-feira de Cinzas

A Santa Igreja inicia o período da Quaresma com a observância da Quarta-feira de Cinzas.

Duas palavras importantes para hoje: "Lembre-se e Retorne."

Lembre-se. Essa é a palavra que acompanha as cinzas, que dão nome a este dia: “porque você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3.19). Palavras tristes de um dos dias mais tristes da história da humanidade. O dia em que Adão e Eva abriram a porta para a morte entrar em seus corpos, neste mundo e na vida de seus filhos (Rm 5.12). Desde então, o túmulo se tornou o destino comum de todos nós (Ec 3.20). Muitas vezes, ajudamos uns aos outros a chegar até ele. Como Lutero escreveu em seu hino: “em meio à vida, estamos envoltos pela morte”.[1] Acidentes, doenças, maldade, assassinatos – tudo isso nos rodeia. Então, lembre-se, ó homem, que és pó e ao pó voltarás (Gn 3.19; Ec 12.7). Cinzas às cinzas. Pó ao pó.

As cinzas deste dia não têm a ver com o jejum. Nosso Senhor nos advertiu a não fazer do jejum um espetáculo público, desfigurando o rosto (Mt 6.16-18). Em vez disso, as cinzas de hoje simplesmente anunciam: “Você está olhando para um homem que está morrendo, vivendo entre outros que também estão morrendo. Não sabemos quando, mas sabemos que o túmulo é nosso destino”. Lembre-se.

Mas lembre-se disso também: as cinzas serão colocadas na sua testa em forma de cruz. A cruz daquele que se tornou pó e cinzas para tirar o pecado que causa a nossa morte (Is 53.4-5), carregá-lo sobre si e destruí-lo (Cl 2.14), assim eliminando o poder da morte (1Co 15.54-57). Lembre-se de que ele ressuscitará nossos corpos pelo seu Espírito que dá vida no Último Dia (Rm 8.11). Lembre-se disso também!

Lembrando de tudo isso, retorne! “Convertam-se ao Senhor, seu Deus, porque ele é bondoso e compassivo, tardio em irar-se e grande em misericórdia” (Joel 2.13). Retorne, converta-se porque você se lembra que está morrendo e sabe por que está morrendo (Rm 6.23). Volte para aquele que tem mais vida para te dar do que você tem morte, mais perdão do que você tem pecado (1Jo 1.9). Volte para aquele que te espera ansiosamente (Lc 15.20). Aquele que nunca diz: “Você de novo, pedindo perdão?” Mas, ao contrário, aquele cujo amor constante sempre te envolve e te acolhe em casa (Sl 103.12-13).

Oração do dia
Todo-poderoso e eterno Deus, que não desprezas o que foi criado por ti e perdoas os pecados de todos os que se arrependem, cria em nós um novo e contrito coração, a fim de que, lamentando nossos pecados e reconhecendo nossa miséria, recebamos de ti total absolvição e perdão; através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: WEEDON, William. Celebrating the Saints (Concordia Publishing House, 2016)

[1] Você conferir toda a letra da música in Obras Selecionadas, vol.7, hinos, “em meio à vida, estamos envolvidos pela morte”, p. 507.

O Tempo da Páscoa e o Período da Quaresma

Um cordeirinho quer levar
a culpa dos culpadose com paciência carregar
dos homens os pecados.
Curvado sob pesada cruz,
privado de consolo e luz,
caminha para a morte.
Entrega-se ao vil matador,
não teme cravos nem dor,
não chora a sua sorte. (HL 89.1)
A Páscoa celebra o evento mais importante da vida de Cristo e foi a principal celebração entre os primeiros cristãos. Como a Páscoa é uma data móvel e também uma das maiores festas do Ano Eclesiástico, ela determina grande parte do calendário litúrgico da Igreja. De maneira geral, a Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia, que ocorre após ou no equinócio de outono. A data da Páscoa influencia diretamente o dia da Quarta-feira de Cinzas, que acontece quarenta dias antes da Páscoa (sem contar os domingos); a data da Transfiguração, que é o domingo anterior à Quarta-feira de Cinzas; e também o número de domingos durante o Tempo da Epifania e após o Pentecostes.

Período da Quaresma
Durante quarenta dias, excluindo os domingos (que continuam sendo celebrações da Ressurreição), a Igreja observa o período da Quaresma.
Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos
e chorávamos, lembrando-nos de Sião. (Salmo 137.1)
A Quaresma começa com essa percepção. Somos um povo exilado. Estamos vagando longe de nossa verdadeira casa. E, assim, o início do arrependimento não é apenas o medo que encontramos ao vagar em uma terra estranha. O começo do arrependimento é sempre a saudade de casa—algo que o Espírito Santo desperta dentro de nós para nos fazer desejar o lar. Na Igreja, às vezes vislumbramos essa pátria de uma maneira que não experimentamos em nenhum outro lugar, enquanto o Espírito agita em nós a fome por ela. Sentimos uma dor por casa; ansiamos por ela. O lar é a comunhão com a Santíssima Trindade, na companhia dos santos anjos e de todos os redimidos.

A Quaresma nos ensina a confessar quantas vezes nos acomodamos na terra do exílio, como se fosse nossa verdadeira morada. Ela nos confronta com a maneira como tentamos acalmar o desejo que o Espírito criou, nos perdendo em prazeres físicos ou psicológicos. Mas isso nunca funciona. Tudo sobre a existência da Igreja desperta essa saudade em nós. Por meio de seus hinos, sua liturgia, suas leituras e suas disciplinas, ela busca nos ajudar a sentir essa falta e desejar aquilo que nunca será totalmente satisfeito deste lado do céu.

Até mesmo a Santa Ceia faz esse desejo crescer ainda mais em nós, pois percebemos que é isso que ansiamos: não apenas o momento breve de estar de joelhos diante do altar, mas a união eterna com Cristo; sua vida sendo nossa vida; sua alegria, nossa alegria; sua paz, nossa paz. No entanto, esse breve gosto é suficiente para nos assegurar que temos um lar e nos faz determinados a não nos contentarmos com nada menos.

Fonte: WEEDON, William. Celebrating the Saints (Concordia Publishing House, 2016)