A pergunta “o que é ser um luterano?” tornou-se especialmente urgente em nosso tempo. O nome luterano aparece hoje associado a realidades profundamente distintas entre si. Instituições que nasceram para servir cristãos luteranos abandonaram publicamente a fé cristã histórica. Congregações que carregam o nome “luterana” professam credos inventados, adaptados às pressões culturais do momento. A mídia, por desconhecimento teológico ou por conveniência narrativa, trata todos os luteranos como se fossem uma coisa só. Diante disso, muitos fiéis ficam confusos, escandalizados ou até envergonhados. Outros perguntam com razão se ainda faz sentido usar o nome “luterano”.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
O que é ser um luterano?
A pergunta “o que é ser um luterano?” tornou-se especialmente urgente em nosso tempo. O nome luterano aparece hoje associado a realidades profundamente distintas entre si. Instituições que nasceram para servir cristãos luteranos abandonaram publicamente a fé cristã histórica. Congregações que carregam o nome “luterana” professam credos inventados, adaptados às pressões culturais do momento. A mídia, por desconhecimento teológico ou por conveniência narrativa, trata todos os luteranos como se fossem uma coisa só. Diante disso, muitos fiéis ficam confusos, escandalizados ou até envergonhados. Outros perguntam com razão se ainda faz sentido usar o nome “luterano”.
sexta-feira, 13 de junho de 2025
O Reformador e a Freira: 500 anos de uma união histórica
Há exatos 500 anos, em 13 de junho de 1525, Martinho Lutero, então com 42 anos, casou-se com Katharina von Bora, uma ex-freira de 26 anos (1499–1552). Na época, esse ato era considerado um “crime” segundo o direito canônico vigente, passível até de pena de morte, e foi visto por muitos como um escândalo. O casamento dos dois durou vinte e um anos e foi abençoado com seis filhos. Após a morte de Lutero, Katharina ainda viveria por mais seis anos.
A decisão de Lutero de se casar com Katharina teve mais motivações teológicas do que românticas. Ele disse ter feito isso para “agradar seu pai, provocar o papa, fazer os anjos rirem e os demônios chorarem.” Katharina foi a única das ex-freiras do convento de Nimbschen que, após fugirem para Wittenberg em abril de 1523, ainda não havia se casado nem encontrado emprego estável. As demais já haviam se estabelecido. Os motivos que levaram Katharina a aceitar o casamento com Lutero intrigam os historiadores até hoje. Ela recusou diversas propostas de casamento, mas confidenciou ao amigo de Lutero, Nicolaus von Amsdorf, que aceitaria se fosse dele — ou de Lutero! No fim, foi Lutero quem a conquistou, apesar das reservas de amigos como Philipp Melanchthon, que tinham dúvidas tanto sobre o casamento em si quanto sobre Katharina.
Naquele 13 de junho, a cerimônia foi simples e privada, com testemunhas como Justus Jonas, JohannesBugenhagen e o casal Lucas e Barbara Cranach. Mais tarde, em 27 de junho, houve uma recepção pública e festiva. O casal passou a viver no antigo mosteiro agostiniano de Wittenberg — conhecido como “Claustro Negro” — que se tornou não apenas o lar da família, mas também hospedaria, hospital e até cervejaria doméstica, tudo organizado com competência por Katharina, mulher de notável talento e energia.Mas como seria a vida matrimonial dos Lutero? O contexto em que se casaram era bem distinto daquele dos casamentos dos dias de hoje. A vida familiar certamente foi desafiadora: um teólogo ativo e excomungado, considerado criminoso pelo império, casado com uma mulher que vivera a maior parte da vida enclausurada e que agora era lançada aos olhos do mundo.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
Comemoração de Martinho Lutero, Doutor e Reformador da Igreja – 18 de fevereiro
Hoje, a Igreja se alegra ao lembrar o bem-aventurado Martinho Lutero, Doutor e Confessor.
Quando Lutero faleceu em Eisleben, em 1546, o Eleitor João Frederico da Saxônia (que governou de 1532 a 1547) ordenou que seu corpo fosse transportado para Wittenberg e sepultado na Igreja do Castelo. O túmulo está localizado próximo ao púlpito, a cerca de 2 metros de profundidade no solo. Desde 1892, o local é marcado por um bloco de arenito em formato de túmulo, sobre o qual foi fixada uma pequena placa de bronze. Acredita-se que a Universidade tenha mandado fundir essa placa somente depois de 1560, em homenagem ao seu professor mais ilustre. A inscrição em latim diz:
"Aqui jaz o corpo de Martinho Lutero, Doutor em Sagrada Teologia. Ele faleceu no ano de Cristo de 1546, no dia 18 de fevereiro, em sua cidade natal, Eisleben, aos 63 anos, 2 meses e 10 dias de idade."
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
O MINISTÉRIO E AS VESTES LITÚRGICAS
"Os adornos e as honrarias de Arão e de seus filhos têm um fim. Aqui, são descritos os adornos dos sacerdotes do Novo Testamento. 'Se fosse livre', etc. Temos outro tipo de vestes por sermos sacerdotes diferentes. Este é o significado da alba: que o bispo seja puro diante do mundo, que não possa ser acusado de nada. Seguem, agora, várias preciosidades que queremos analisar. Aqui, chama-o de bispo, acima chamou-os de presbíteros. Por conseguinte, para Paulo, bispo e presbítero são a mesma coisa. O uso propalado do termo vai na direção contrária. Um bispo, isto é, um ministro da Palavra, deve fazer uso da alba, assim como o ministro de uma família. Cristo é o pai da família, o bispo, o ministro. Ele é o ecônomo em cujas mãos o Senhor entregou todas as coisas. Se o bispo pensa em sua vocação, ele constata que é bispo por um rito, por um oráculo e por ordem divina. Em segundo lugar, que ele tem em suas mãos as coisas e a propriedade de Cristo. Que coisas são essas? O Evangelho e os sacramentos. Ele foi constituído como ministro da Palavra para distribuir essas coisas à família, aos seus irmãos; ou seja, para pregar, diligentemente, o Evangelho e administrar os sacramentos, ensinar os ignorantes, exortar os doutos e castigar os desregrados, moderando-os, contendo-os pela Palavra e estando junto deles por meio das orações e dos sacramentos. Ele deve obter lucro, a fim de propagar e aumentar as posses de Cristo."
Martinho Lutero. Anotações de Lutero sobre a Epístola de Paulo a Tito in Obras Selecionadas, vol.10 p. 579-578.