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quinta-feira, 31 de julho de 2025

Comemoração de São José de Arimateia - 31 de julho



Hoje, a santa Igreja se alegra ao lembrar José de Arimateia.

José de Arimateia é mencionado por todos os quatro evangelistas: Mateus (27.57–60), Marcos (15.42–46), Lucas (23.50–53) e João (19.38–42). Ele era natural de uma pequena aldeia chamada Arimateia, nas colinas da Judeia. Homem rico e respeitado membro do Sinédrio judeu, José havia preparado para si mesmo um túmulo novo. Com coragem, dirigiu-se a Pilatos e pediu permissão para sepultar o corpo de Jesus em seu próprio túmulo.

João relata em seu Evangelho (capítulo 19) que José contou com a ajuda de Nicodemos na difícil tarefa de retirar o corpo do Senhor da cruz. Juntos, levaram o corpo de Jesus ao túmulo que pertencia a José, acompanhados de uma grande quantidade de especiarias. Eles envolveram o corpo de Cristo em linho limpo e o sepultaram às pressas, pois o pôr do sol marcava o início do sábado. As mulheres que seguiam Jesus observaram o local e planejavam retornar após o sábado para completar os ritos de preparação do corpo, mas encontraram, em vez disso, a surpreendente realidade da ressurreição.

Muitos destacam a coragem de José e Nicodemos, especialmente em contraste com o medo demonstrado pelos demais discípulos. Esses dois homens, membros do Sinédrio judeu, não hesitaram em pedir ao governador romano, Pilatos, permissão para sepultar o “Rei dos Judeus” e obtiveram sua autorização.

O cuidado que José demonstrou pelo corpo de Cristo foi, por si só, uma confissão da fé na ressurreição dos mortos. Da mesma forma, os corpos dos santos não são restos a serem descartados, mas verdadeiras relíquias sagradas, aguardando a gloriosa ressurreição.

Ao lembrarmos de José e de seu serviço prestado ao corpo do Senhor, também recordamos que nós, cristãos, recebemos o chamado de honrar os corpos daqueles que morreram em Cristo. Confessamos diante de um mundo incrédulo que esses corpos devem ser tratados com respeito, porque, unidos a Cristo, serão ressuscitados em glória no Último Dia, quando nosso Senhor aparecer novamente, ressuscitar todos os mortos e conceder a vida eterna a todos os que creem nEle.

ORAÇÃO DO DIA
Misericordioso Deus, teu servo José de Arimateia preparou o corpo de nosso Senhor e Salvador para o sepultamento com reverência e temor a Deus e o depositou em seu próprio túmulo. Ao seguirmos o exemplo de José, concede a nós, teu povo fiel, a mesma graça e coragem para amar e servir a Jesus com devoção sincera todos os dias de nossas vidas; através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém

Traduzido e Adaptado de WEEDON, William. Celebrating the Saints (Concordia Publishing House, 2016).

terça-feira, 29 de julho de 2025

Comemoração de Maria, Marta e Lázaro de Betânia - 29 de julho


Hoje lembramos três amigos de Jesus: Maria, Marta e Lázaro de Betânia.

Imagine como deve ter sido difícil para elas: um atraso que parecia sem explicação. Maria e Marta mandaram avisar Jesus que Lázaro estava doente, pois sabiam que uma palavra de Jesus podia curar qualquer enfermidade e afastar até a morte (João 11.1–3).

Mas o tempo passou e Jesus não respondeu. Ele não apareceu. Silêncio. E, enquanto isso, o irmão delas piorava diante de seus olhos, até que morreu. Lázaro fechou os olhos e parou de respirar. Seus corações se partiram. E Jesus ainda não tinha vindo (João 11.6).

Elas o prepararam para o sepultamento com todo carinho, envolveram seu corpo em faixas e o colocaram no túmulo. A cidade participou do funeral. A pedra foi colocada na entrada. A escuridão tomou conta do túmulo... e dos corações das irmãs. Lázaro estava morto. E Jesus ainda não tinha chegado.

No meio do luto, as perguntas começaram a brotar: “Por que Ele não veio? Será que ele não se importa mais? Será que fizemos algo errado?” Maria, que tantas vezes havia sentado aos pés de Jesus para ouvir sua Palavra (Lucas 10.39), se agarrava agora às promessas do amor do Pai. Marta, por sua vez, continuava se ocupando, tentando lidar com a dor.

Então, alguém avisou: “Jesus está vindo.” Marta correu para encontrá-lo. E desabafou:
“Se o Senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas também sei que, mesmo agora, tudo o que o senhor pedir a Deus, ele concederá.
Jesus disse a ela:
— O seu irmão há de ressurgir.
Ao que Marta respondeu:
— Eu sei que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia.
Então Jesus declarou:
— Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.”
(João 11.21–25)
Depois, Maria também se aproximou de Jesus. Ao ver o sofrimento dela, Jesus se comoveu profundamente. Ele chorou (João 11.35). Foram juntos ao túmulo. E lá, diante de todos, Jesus ordenou: “Lázaro, venha para fora!” E Lázaro saiu. Não um fantasma ou um morto-vivo, mas uma pessoa viva, que havia sido chamada de volta à vida pela voz do Filho de Deus (João 11.43–44).

Mas por que esse atraso? Por que Jesus não foi direto curá-lo? A resposta de Jesus é esta:
“Essa doença não é para morte, mas para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela.” (João 11.4)
Jesus realmente amava aqueles três irmãos (João 11.5). E ele também ama você. Mesmo quando as situações parecem sem saída, mesmo quando as orações parecem não ter resposta, podemos confiar: ele vê, ele se importa e está agindo com propósito. Às vezes, o milagre vem depois da espera. Às vezes, a cruz vem antes da ressurreição. Mas a presença de Jesus, Aquele que é a ressurreição e a vida, é o que nos dá verdadeira paz (João 14.27).

Lázaro é uma pequena amostra do que acontecerá com todos os que creem em Cristo:
“Vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a voz dele e sairão” (João 5.28–29)
A ressurreição no último dia é certa. Mas até lá, você tem em Jesus um amigo fiel, que chora com você, caminha ao seu lado e vai, um dia, te chamar pelo nome para a vida eterna.

ORAÇÃO DO DIA
Pai Celestial, teu amado Filho fez amizade com seres humanos frágeis como nós para torná-los teus amigos. Ensina-nos a ser como os queridos amigos de Jesus de Betânia, para que possamos servi-lo fielmente como Marta, aprendermos sinceramente com ele como Maria e, finalmente, sermos ressuscitados por ele como Lázaro. Através de Jesus Cristo, Senhor deles e nosso, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Traduzido e Adaptado de WEEDON, William. Celebrating the Saints (Concordia Publishing House, 2016)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Comemoração de Martinho Lutero, Doutor e Reformador da Igreja – 18 de fevereiro

 Hoje, a Igreja se alegra ao lembrar o bem-aventurado Martinho Lutero, Doutor e Confessor.

Os caminhos de Deus podem ser surpreendentes. Ele levou seu servo Martinho de volta ao ponto onde tudo começou. Lutero nasceu em Eisleben, em 1483, e foi lá também que passou seus últimos dias na terra, em fevereiro de 1546. Na época, os príncipes locais em disputa e buscaram a ajuda do grande Reformador para resolver a questão de maneira cristã e piedosa. Mesmo com a saúde bastante debilitada, Lutero não quis ignorar esse pedido. Jesus disse: "Bem-aventurados os pacificadores", e foi justamente em serviço da paz que Lutero partiu deste mundo. No início, ele acreditava que seria martirizado por sua ousada confissão e, às vezes, parecia até lamentar que o Senhor não lhe tivesse concedido essa graça.

Lutero gastou todas as suas forças ensinando, pregando e auxiliando na Reforma das igrejas. Depois que ele compreendeu que a justiça que Deus exige na Lei é, na verdade, um dom que Ele concede gratuitamente para ser recebido pela fé, Lutero se tornou imbatível. De sua pena fluíram palavras sem parar: ele traduziu as Escrituras dos idiomas originais para o alemão, inúmeros hinos, diversas revisões das liturgias da Igreja, coleções de sermões e comentários bíblicos. Seu conselho era buscado por pessoas de todos os lugares. Mas sua vida monástica anterior já tinha deixado marcas profundas em sua saúde. Seu entusiasmo pelo ascetismo afetou seu corpo desde cedo. Lutero nunca fez nada pela metade quando se tratava da fé – nem antes de conhecer a alegria do Evangelho, nem depois. E foi com um corpo já fragilizado que ele enfrentou o imenso desafio da Reforma. No entanto, para ele, não havia outra maneira de viver: gastar suas forças servindo a Deus era a única vida que valia a pena.

Nos seus últimos momentos, Lutero confessou seus pecados a Justus Jonas e recebeu a absolvição. Quando a morte se aproximava, Jonas perguntou se ele desejava partir firme na fé que sempre havia confessado. Com toda a convicção, Lutero respondeu em alto e bom som: "Ja!" ("Sim!"). Enquanto estava deitado, repetia para si mesmo algumas promessas das Escrituras. Quando, enfim, deu seu último suspiro, deixou este mundo com a plena certeza de que seus pecados foram perdoados pelo sangue de Cristo e que a morte foi vencida pelo sacrifício e ressurreição do Salvador. Lutero morreu sabendo que, embora fosse um pecador, tinha um Salvador poderoso. E esse Salvador não o abandonaria, mas o ressuscitaria em um corpo glorificado.

Depois de sua morte, seus amigos encontraram as últimas palavras que ele havia escrito: "Somos todos mendigos; isso é verdade." De fato, somos mendigos, mas diante de um Deus que se deleita em derramar Suas ricas bênçãos sobre pecadores indignos. Lutero partiu deste mundo sabendo que ajudou muitas pessoas a enxergarem e entenderem que "o justo viverá pela fé" – e foi imensamente grato por esse privilégio.

Oração do dia:
Ó Deus, nosso refúgio e nossa força, tu levantaste teu servo Martinho Lutero para reformar e renovar tua Igreja à luz da tua Palavra viva, Jesus Cristo, nosso Senhor. Defende e purifica a Igreja em nossos dias, e permite-nos proclamar corajosamente a fidelidade de Cristo até a morte e a ressurreição restituidora que deste a conhecer a teu servo Martinho; através de Jesus Cristo, nosso Salvador, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: WEEDON, William. Celebrating the Saints (Concordia Publishing House, 2016)


Quando Lutero faleceu em Eisleben, em 1546, o Eleitor João Frederico da Saxônia (que governou de 1532 a 1547) ordenou que seu corpo fosse transportado para Wittenberg e sepultado na Igreja do Castelo. O túmulo está localizado próximo ao púlpito, a cerca de 2 metros de profundidade no solo. Desde 1892, o local é marcado por um bloco de arenito em formato de túmulo, sobre o qual foi fixada uma pequena placa de bronze. Acredita-se que a Universidade tenha mandado fundir essa placa somente depois de 1560, em homenagem ao seu professor mais ilustre. A inscrição em latim diz:

"Aqui jaz o corpo de Martinho Lutero, Doutor em Sagrada Teologia. Ele faleceu no ano de Cristo de 1546, no dia 18 de fevereiro, em sua cidade natal, Eisleben, aos 63 anos, 2 meses e 10 dias de idade."

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Comemoração de Wilhelm Loehe, pastor - 2 de Janeiro

Neste dia, lembramos de um luterano do século XIX chamado J. K. Wilhelm Loehe, pastor.

Nascido em 1808, Loehe chegou à maturidade em uma época em que a "liderança" teológica da Igreja Luterana na Alemanha estava, em grande parte, sob o domínio do Racionalismo. Para ter uma ideia de quão grave isso era, um de seus contemporâneos, C. F. W. Walther, descreveu ouvir sermões sobre temas tão emocionantes como a rentabilidade de cultivar batatas! E a situação só piorava a cada ano. Contudo, nesse deserto árido, o Senhor levantou servos fiéis, entre os quais estava Loehe.

Embora nunca tenha deixado sua terra natal alemã, Loehe, moldado pela mente da Igreja, tinha grandes sonhos. Seu coração voltou-se para a situação da América do Norte. Ele organizou o envio de pastores para ajudar a reunir os muitos imigrantes luteranos na nova terra em congregações e iniciar o trabalho missionário entre os nativos americanos em Michigan. Ele ajudou a fundar um seminário para atender à enorme necessidade de pastores (Concordia Theological Seminary de Fort Wayne, Indiana, EUA, é fruto de seu trabalho). Loehe organizou casas diaconais e ajudou as irmãs a empreenderem diversos trabalhos de caridade, acima de tudo, o cuidado de órfãos e idosos.

Para Loehe, o serviço de amor fluía de maneira natural e inevitável do Culto Divino. Ele escreveu uma explicação para o Catecismo de Lutero, revisou a liturgia e publicou um popular livro de orações, Sementes de Oração (Seed-Grains of Prayer). Talvez sua maior obra seja Três Livros sobre a Igreja (Three Books on the Church), em que oferece uma profunda meditação sobre a glória da Noiva de Cristo e o papel da Igreja Luterana dentro da igreja católica.

Ele faleceu em 2 de janeiro de 1872, após servir sua amada paróquia em Neuendettelsau, Alemanha, por cerca de trinta e cinco anos. A oração de hoje vem de sua autoria.

ORAÇÃO DO DIA
Santíssima Trindade, em tua misericórdia, entregamos a ti neste dia nossos corpos e almas, todos os nossos caminhos todos os nossos atos e propósitos. Rogamos-te que abras nossos corações e bocas para que possamos louvar teu nome, que acima de todos os nomes é santo. E, já que nos criaste para o louvor do teu santo nome, concede que nossas vidas sejam para tua honra, e que te sirvamos em amor e temor. Pois Tu, ó Pai, Filho e Espírito Santo, vives e reinas, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: WEEDON, William. Celebrating the Saints (Concordia Publishing House, 2016)

domingo, 27 de outubro de 2024

Comemoração da Fundação do Seminário Concórdia, A.D. 1903

Hoje, a Igreja Evangélica Luterana do Brasil comemora e lembra a Fundação do Seminário Concórdia.

Desde o início na história da IELB, a educação sempre foi vista como prioritária, especialmente na formação teológica dos ministros da Palavra. A fundação do Seminário Concórdia, em 27 de outubro de 1903, ainda antes da organização formal da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) em 1904, marca o início de um grande legado educacional e espiritual.

O Seminário teve seu início em Bom Jesus, São Lourenço do Sul, RS, em uma pequena igreja local e um simples galpão de madeira. O Rev. John Hartmeister, missionário do Sínodo de Missouri, foi o primeiro professor e diretor. Ele ensinava os três primeiros alunos — Emilio Wille, Heinrich Drews e Ewald Hirschmann — em um currículo que abrangia desde história bíblica até o catecismo e línguas clássicas. Esses alunos, juntamente com Hartmeister, enfrentaram condições desafiadoras, mas estavam unidos pela fé e pelo desejo de servir à Igreja de Cristo.

Com o tempo, o Seminário foi crescendo e superando obstáculos. Em 1907, ele foi reaberto em Porto Alegre, e em 1912, foi transferido para um prédio próprio, consolidando-se como um centro de formação teológica. Ao longo dos anos, o Seminário formou centenas de pastores que, hoje, servem em congregações não apenas no Brasil, mas em diversos países ao redor do mundo, incluindo Estados Unidos, Chile, Paraguai, Argentina e outros.

Em 1984, o Seminário Concórdia se mudou para São Leopoldo, onde continua sendo a principal instituição de formação de pastores da IELB. Diversas organizações como o Diretório Acadêmico Martinho Lutero (DAMAL), a Associação de Servas Amigas do Seminário (ASAS), ajudam a fortalecer a vida comunitária e acadêmica, criando um ambiente de apoio e dedicação.

Um dos marcos mais recentes na história do Seminário aconteceu em 5 de agosto de 2024, quando ele também se tornou oficialmente uma faculdade, com o curso de Teologia sendo reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). Esse reconhecimento é um passo significativo, pois reflete a excelência acadêmica e a importância do Seminário no cenário educacional brasileiro, abrindo novas oportunidades para a formação teológica no país.

Agora, como faculdade, o Seminário Concórdia continua sua missão de formar pastores e teólogos comprometidos com o ensino da Palavra de Deus e o cuidado do rebanho de Cristo.

Com uma história rica e um impacto profundo na vida da Igreja, o Seminário Concórdia permanece fiel à sua missão, continuando a preparar líderes espirituais para proclamar o Evangelho e servir ao povo de Deus com amor e dedicação.

Oração do dia
Senhor Deus, te louvamos pela história e pelo legado do Seminário Concórdia. Te agradecemos pelos muitos pastores que foram formados nesta escola e que, ao longo de mais de um século, têm pregado o Evangelho e administrado os Sacramentos com fidelidade. Pedimos que continues a abençoar o Seminário, seus professores e alunos, para que sempre sejam movidos pelo teu Espírito Santo e capacitados a servir a tua Igreja. Fortalece em nós a disposição para estudar a tua Palavra e proclamar com alegria a salvação em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Seminário Concórdia! Salve! Salve!
O teu nome é o nosso pavilhão.
Teu passado glorioso nos inspira
nos estudos e em nossa formação.
Dos teus mestres o exemplo e a probidade
são na vida em teu meio a nossa luz.
Seu ensino da celestial verdade
nos converte em obreiros de Jesus.
Seminário Concórdia! Ó baluarte!
Da verdade que haurimos com ardor,
para um dia levar a toda parte
a mensagem do Cristo Redentor!
Seminário Concórdia! Concórdia! (Hino do Seminário Concórdia)

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Comemoração de Filipe, o diácono - 11 de outubro


Hoje, lembramos e agradecemos a Deus pelo seu fiel servo, Filipe, o diácono.

No capítulo 6 de Atos, São Lucas relata que uma confusão surgiu na congregação de Jerusalém. Os cristãos de língua grega reclamaram que suas viúvas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de alimentos, enquanto as viúvas que falavam aramaico eram favorecidas. Os apóstolos, em vez de resolverem o problema diretamente, sabiamente instituíram o que se tornou o primeiro ofício auxiliar na Igreja .“Escolham entre vocês sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, para os encarregarmos desse serviço” aconselharam os apóstolos. “Quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (Atos 6.3-4). A sugestão agradou à congregação, e eles selecionaram sete homens, incluindo Estêvão (o primeiro mártir) e Filipe, que hoje comemoramos. Os sete foram apresentados aos apóstolos, que impuseram as mãos sobre eles, colocando-os no ofício. Muitos consideram este evento como o início do diaconato na Igreja.

Após o martírio de Estêvão e o início da perseguição em Jerusalém, muitos membros da congregação foram dispersos. No entanto, onde quer que fossem, levavam as boas-novas de Jesus em seus lábios. Filipe foi para uma cidade na Samaria, onde proclamou o Evangelho. Por meio de sua pregação e dos milagres que o Senhor Jesus realizou através dele, os moradores da cidade foram trazidos à fé, inclusive o famoso Simão, o Mago. Lucas nos diz que “houve grande alegria naquela cidade” (Atos 8.8) com a chegada do Evangelho.

Após Pedro e João confirmarem o trabalho de Filipe em Samaria, o Espírito Santo enviou Filipe para outra missão. Ele foi o escolhido para levar as boas-novas ao eunuco etíope, servo e tesoureiro da rainha da Etiópia. Este homem havia ido a Jerusalém para adorar e estava voltando para casa, refletindo sobre o significado de Isaías 53. Filipe se aproximou e pregou as boas-novas de Cristo, batizando-o logo em seguida. E mais uma vez nos é dito que o eunuco seguiu “o seu caminho, cheio de alegria” (Atos 8.39).

Na última viagem de São Paulo a Jerusalém, que levou à sua prisão, ele foi hóspede por alguns dias na casa de Filipe (Atos 21.8-15). Filipe tinha quatro filhas solteiras que eram profetisas. Enquanto Paulo estava hospedado lá, o profeta Ágabo predisse sua prisão iminente caso ele seguisse para Jerusalém. Filipe e os outros imploraram para que Paulo não fosse, mas ele estava decidido. Paulo estava pronto até para morrer pelo Senhor Jesus. Finalmente, Filipe e os outros cessaram seus apelos e disseram: “Seja feita a vontade do Senhor!” (Atos 21.14).

Oração do dia
Deus onipotente e eterno, nós te damos graças por teu servo Filipe, o Diácono. Tu o chamaste para pregar o Evangelho aos povos da Samaria e da Etiópia. Levanta mensageiros de teu reino nesta e em todas as nações, para que a tua igreja possa proclamar as riquezas imensuráveis de nosso Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, agora e sempre. Amém.

Espírito Santo, ó Deus e Senhor,
    dos céus nos mostra o fulgor.
concede-nos o teu poder;
    na luta faze-nos vencer.
Espírito Santo, ó Deus e Senhor! (HL 139.4)

Texto e oração traduzido e adaptado de Celebrating the Saints: The Feasts, Festivals, and Commemorations of Lutheran Service Book escrito pelo Rev. William Weedon e publicado pela Concordia Publishing House. Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A letra do hino é do Hinário Luterano da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB).

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Comemoração de Abraão - 09 de outubro


Hoje, lembramos e agradecemos a Deus pelo santo patriarca e ancestral de Cristo, Abraão.

Nascido em Ur dos Caldeus por volta de 2000 a.C., Abrão (como era chamado inicialmente) recebeu o chamado de Deus para deixar sua terra e ir para um lugar que o Senhor lhe mostraria. Lá, Deus prometeu que ele se tornaria uma grande nação e que, por meio de sua descendência, todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gênesis 12.1-3). Aos 75 anos, Abrão obedeceu e começou sua jornada. Ele fez uma parada em Harã, mas finalmente chegou à terra de Canaã (Gênesis 12.4-5). Com ele estavam sua esposa, Sarai, e seu sobrinho, Ló. Nesse lugar, Deus apareceu a ele várias vezes ao longo dos anos, repetindo e esclarecendo a promessa feita (Gênesis 12.7; 13.14-17). No início, Abrão pensou que Ló seria seu herdeiro, mas o Senhor deixou claro que nem Ló nem seu servo Eliezer seriam herdeiros (Gênesis 15.2-4). Ao contrário, um filho seu, seria o herdeiro. Abrão acreditou na promessa de Deus, e o Senhor creditou essa fé como justiça (Gênesis 15.6).

No entanto, depois de muitos anos sem que nada acontecesse e cansados de esperar, Abrão e Sarai resolveram tomar o controle da situação. Sarai deu sua serva, Agar, a Abrão, e Ismael nasceu (Gênesis 16.1-4). Mesmo assim, Deus reafirmou que o filho prometido viria de Sarai (Gênesis 17.15-16). Como sinal de sua promessa, Deus mudou seus nomes para Abraão (pai de um povo) e Sara (Gênesis 17.5; 17.15). Finalmente, quando todos os esforços humanos pareciam inúteis, Deus visitou o casal novamente e disse que o nascimento do filho prometido aconteceria dentro de um ano (Gênesis 18.10). Sara, ao ouvir essa promessa, riu de incredulidade, e o nome do filho, Isaque (que significa “riso”), foi dado em memória dessa reação (Gênesis 17.19; 21.3). E assim, conforme Deus prometera, Isaque nasceu (Gênesis 21.1-2).

Um dia, Deus pediu algo assustador a Abraão. Ele mandou que Abraão oferecesse seu filho de volta a ele como sacrifício (Gênesis 22.2). Obediente, Abraão partiu com Isaque e alguns servos para o lugar indicado por Deus. Isaque percebeu que faltava o cordeiro para o sacrifício, e Abraão profetizou: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho” (Gênesis 22.8). Embora Abraão estivesse disposto a sacrificar o menino, ele acreditava de coração que Deus o ressuscitaria dos mortos para cumprir suas promessas (Hebreus 11.17-19). No último instante, um anjo impediu que o velho homem levasse adiante o sacrifício (Gênesis 22.11-12). Isaque foi poupado, e um carneiro foi oferecido em seu lugar (Gênesis 22.13).

A prontidão de Abraão em obedecer e sua fé nas promessas invisíveis de Deus marcaram sua vida desde o momento de seu chamado. Nosso Senhor até disse que Abraão “alegrou-se por ver o meu dia; e ele viu esse dia e ficou alegre” (João 8.56).

Oração do dia
Senhor Deus, Pai celestial, tu prometeste a Abraão que ele seria o pai de muitas nações, guiaste-o para a terra de Canaã e selaste tua aliança com ele pelo derramamento de sangue. Que possamos ver em Jesus, a Semente de Abraão, a promessa de uma nova aliança da tua santa Igreja, selada com o sangue de Jesus na cruz e que agora nos é dada no cálice do Novo Testamento; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Ao Deus de Abraão louvai,
    do vasto céu Senhor,
eterno e poderoso Pai
    e Deus de amor,
excelso Jeová,
    que terra e céu criou!
Minha alma o nome exaltará
    do grande “Eu - Sou”. (HL 209.1)

Texto e oração traduzido e adaptado de Celebrating the Saints: The Feasts, Festivals, and Commemorations of Lutheran Service Book escrito pelo Rev. William Weedon e publicado pela Concordia Publishing House. Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A letra do hino é do Hinário Luterano da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB).

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Comemoração de Agostinho de Hipona, Pastor e Teólogo - 28 de agosto

 

Agostinho, Bispo de Hipona, 430

Aurelius Augustinus, geralmente conhecido como Santo Agostinho, nasceu na cidade de Tagaste, hoje conhecida como Souk Arrhas, na Argélia, em 13 de novembro de 354. Sua mãe, Mônica, era cristã e tentou criá-lo na fé cristã, mas sem sucesso. Ele frequentou a escola em Cartago, onde foi um estudante sério, mas acabou se convertendo ao maniqueísmo, uma religião dualista de origem persa que era popular na época. Ele teve um filho com uma concubina, a quem deu o nome de Adeodato ("Presente de Deus").

Em algum momento depois de 383, Agostinho foi para Roma, onde ensinou retórica e continuou seus estudos. Em 384, ele foi para Milão para lecionar, e lá foi gradualmente atraído para a fé católica. Primeiro, ele abandonou o maniqueísmo para estudar o neoplatonismo e, depois, caiu sob a influência de Santo Ambrósio, o Bispo de Milão. Após uma grande luta interna, suas dúvidas foram dissipadas, e Ambrósio o batizou na Vigília Pascal de 387. Sua mãe faleceu enquanto os dois estavam a caminho de volta ao Norte da África. Lá, Agostinho viveu uma espécie de vida monástica por vários anos com um grupo de amigos. Em 391, durante uma visita à cidade de Hipona, foi escolhido contra sua vontade pelos cristãos locais para ser seu pastor. A partir de então, Hipona se tornou sua residência até sua morte. Ele foi ordenado sacerdote e, quatro anos depois, consagrado bispo, tornando-se o Bispo de Hipona, a segunda cidade mais importante da África em termos eclesiásticos, que hoje não existe mais. Agostinho serviu como bispo por trinta e cinco anos. Mesmo com muitas viagens e responsabilidades, ele produziu uma vasta quantidade de escritos.

Santo Agostinho foi um dos grandes mestres da Igreja, e pensadores cristãos, tanto católicos quanto protestantes, reconhecem sua importância como teólogo e defensor da fé cristã. Entre seus muitos escritos, os mais famosos são as “Confissões” (c. 400) e “A Cidade de Deus” (após 412). As “Confissões” narram sua vida e conversão; “A Cidade de Deus” contém suas visões sociais e políticas, motivadas pelo colapso de Roma; uma defesa do cristianismo; e uma visão da sociedade cristã ideal. Ele também escreveu várias obras mais puramente teológicas, incluindo ataques ao maniqueísmo e polêmicas contra heresias como o donatismo e o pelagianismo. Alguns de seus tratados foram comentários sobre partes das Escrituras. Seus livros, sermões e cartas foram publicados em muitas línguas e edições, e há uma vasta literatura sobre ele. Ele estabeleceu a regra monástica de Santo Agostinho, e mais de um milênio depois, Martinho Lutero se tornou um monge da Ordem Agostiniana.

Os últimos anos de Santo Agostinho foram marcados pelo caos causado pela invasão das tribos vândalas no Norte da África. Cidade após cidade foi destruída, igrejas foram queimadas e o clero foi disperso. Durante o cerco dos vândalos a Hipona, em 430, Santo Agostinho foi acometido por uma febre e faleceu em 28 de agosto de 430, data em que é atualmente comemorado. Seu corpo foi posteriormente levado para a Sardenha e, no meio do século VIII, foi transferido novamente para a capital da Lombardia, Pavia, onde agora repousa em um esplêndido monumento de mármore na Igreja de São Pedro em Ciel d’Oro.

LEITURA

(De Confissões de Agostinho)

Quando essas severas reflexões me fizeram emergir do íntimo e expuseram toda a minha miséria à contemplação do coração, desencadeou-se uma grande tempestade portadora de copiosa torrente de lágrimas. Para dar-lhes vazão com naturalidade, levantei-me e afastei-me de Alípio, o necessário para que sua presença não me perturbasse, pois a solidão me parecia mais apropriada ao pranto. Alípio percebeu o estado em que me encontrava: o tom da voz embargada pelas lágrimas, ao dizer-lhe alguma coisa, havia-me traído. Levantei-me; ele permaneceu atônito, onde estávamos sentados. Deixei-me, não sei como, cair debaixo de uma figueira e dei livre curso às lágrimas, que jorravam de meus olhos aos borbotões, como sacrifício agradável a ti. E muitas coisas eu te disse, não exatamente nestes termos, mas com o seguinte sentido: “E tu, Senhor, até quando? Até quando continuarás irritado? Não te lembres de nossas culpas passadas”! Sentia-me ainda preso ao passado, e por isso gritava desesperadamente: “Por quanto tempo, por quanto tempo direi ainda: amanhã, amanhã? Por que não agora? Por que não pôr fim agora à minha indignidade?”

Assim falava e chorava, oprimido pela mais amarga dor do coração. Eis que, de repente, ouço uma voz vinda da casa vizinha. Parecia de um menino ou menina repetindo continuamente uma canção: “Toma e lê, toma e lê”. Mudei de semblante e comecei com a máxima atenção a observar se se tratava de alguma cantilena que as crianças gostam de repetir em seus jogos. Não me lembrava, porém, de tê-la ouvido antes. Reprimi o pranto e levantei-me. A única interpretação possível, para mim, era a de uma ordem divina para abrir o livro e ler as primeiras palavras que encontrasse. Tinha ouvido que Antão, assistindo por acaso a uma leitura evangélica, sentiu um chamado, como se a passagem lida fosse pessoalmente dirigida a ele: “Vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me”. E logo, através dessa mensagem, converteu-se a ti. Apressado, voltei ao lugar onde Alípio ficara sentado, pois, ao levantar-me, havia deixado aí o livro do Apóstolo. Peguei-o, abri e li em silêncio o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne”. Não quis ler mais, nem era necessário. Mal terminara a leitura dessa frase, dissiparam-se em mim todas as trevas da dúvida, como se penetrasse no meu coração uma luz de certeza.

- AGOSTINHO, Confissões.  A Conversão: Toma e lê! In Patrística: Santo Agostinho, Confissões. Editora Paulus.

Cor Litúrgica: Branco

Prefácio Próprio: A Santíssima Trindade

Leituras Bíblicas:

                + Primeira Leitura: Provérbios 3.1-7

                + Salmodia: Salmo 119.89-104

                + Segunda Leitura: 1Coríntios 2.6-10; 13-16

                + Santo Evangelho: João 17.18-23

 ORAÇÃO DO DIA

Ó Senhor Deus, luz das mentes que te conhecem, vida das almas que te amam e força dos corações que te servem, concede-nos força para seguir o exemplo de teu servo Agostinho de Hipona, de modo que, conhecendo a ti, possamos te amar verdadeiramente, e amando a ti, possamos te servir inteiramente – pois servir-te é a perfeita liberdade; através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

 —  As informações sobre história, cor litúrgica, prefácio próprio e leituras bíblicas da comemoração foram retiradas do livro Festivals and Commemorations: handbook to the calendar in Lutheran Book of Worship de Philip H. Pfatteicher, publicado pela Augusburg Publishing House, 1980. A Oração do Dia é retirado de Treasury of Daily Prayer, publicado pela Concordia Publishing House, 2008.