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sábado, 20 de setembro de 2025

Homilia para a Festa de São Mateus, Apóstolo e Evangelista - 2025 A+D



FESTA DE SÃO MATEUS, APÓSTOLO E EVANGELISTA
Ezequiel 2.8-3.11 | Efésios 4.7-16 | São Mateus 9.9-13

Homilia: “Cristo, o Médico dos pecadores”.
Mateus 9.9-13

“Que o Senhor Jesus Cristo derrame sobre vocês a sua graça, que o amor do nosso Deus os envolva e que a comunhão do Espírito Santo esteja sempre presente na vida de cada um.” Amém. (2Co 13.13).

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Imaginem alguém bem doente, mas que insiste em dizer que está bem. Talvez já tenham visto isso acontecer: a pessoa sente dor, o corpo dá sinais claros de que algo não está certo, mas ela não procura ajuda. Finge que nada está acontecendo. Pode ser por orgulho, por medo, ou porque não quer mudar hábitos que lhe fazem mal. O problema é que a doença continua crescendo em silêncio e, quando percebe, pode ser tarde demais. Todos nós sabemos que, quando a gente está doente, a melhor coisa é reconhecer isso e procurar um médico.

No Evangelho de hoje, Jesus nos mostra que espiritualmente acontece a mesma coisa. Ele chama Mateus, um cobrador de impostos. Mateus era rejeitado por todos, era visto como traidor, pecador público, alguém sem esperança de estar perto de Deus. Mas Jesus olha para ele de um jeito diferente. Para a sociedade, Mateus estava perdido. Para Jesus, Mateus era justamente o tipo de pessoa para quem Ele tinha vindo. Jesus se aproxima, chama, e Mateus se levanta, deixa tudo e começa a segui-lo.

Os fariseus ficam escandalizados. Como assim Jesus vai se sentar à mesa com pecadores e publicanos? Isso era demais para eles. Mas Jesus responde com aquela frase que até hoje aquece o nosso coração: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.”

Essa é a chave para entendermos não só a vida de Mateus, mas também a nossa. Todos nós estamos espiritualmente doentes. O pecado não é um machucadinho leve, é uma doença mortal que atinge a todos. Ele contamina os pensamentos, as palavras, os desejos e as atitudes. Ele se mostra no egoísmo que estraga nossos relacionamentos, na cobiça que nunca se satisfaz, na mentira que quebra a confiança, na incredulidade que nos afasta do Criador. Muitas vezes a gente tenta esconder essa doença. Tentamos nos convencer de que estamos bem, de que somos “bons o suficiente”. Mas isso é como um paciente que finge estar saudável, mesmo sabendo que está piorando por dentro.

Muitas vezes, queridos, a gente age como se fosse “são” espiritualmente. É quando achamos que não precisamos mudar nada na nossa vida. É quando justificamos nossos pecados dizendo: “todo mundo faz isso”, ou quando apontamos os erros dos outros para disfarçar os nossos. É quando escondemos mágoas e rancores e deixamos que isso envenene nosso coração. É quando o dinheiro, o trabalho ou as redes sociais ocupam mais tempo do que a Palavra de Deus e a oração. É quando dizemos que não temos tempo para estar no culto, mas arrumamos tempo para tantas outras coisas. Tudo isso mostra como estamos doentes, mas muitas vezes não queremos admitir.

Mas, queridos, é justamente nessas feridas do nosso dia a dia que o Médico dos pecadores aplica seu remédio. Para o coração cheio de rancor, Ele oferece o perdão que limpa e renova. Para a vida dominada pela pressa e pelo cansaço, Ele nos dá descanso na sua presença. Para o vazio que tentamos preencher com dinheiro, prazer ou reconhecimento, Ele nos lembra que já temos um tesouro eterno: somos filhos de Deus. E quando achamos que não temos tempo para o culto, Ele vem até nós, chamando com amor: “Segue-me.” Ele não nos rejeita por causa da nossa doença, mas nos acolhe exatamente porque precisamos dEle. No Batismo, Ele nos lavou. Na sua Palavra, Ele nos consola. Na Santa Ceia, Ele coloca em nossas mãos o verdadeiro remédio de imortalidade, garantindo que já não somos escravos da morte, mas herdeiros da vida eterna.

E aqui está a beleza do Evangelho: Jesus é o Médico dos pecadores. Ele não veio para quem acha que não precisa de ajuda. Ele veio para quem reconhece que está fraco, perdido, doente. Ele não veio para os que confiam em si mesmos, mas para os que sabem que precisam dEle. E o que Ele faz é muito maior do que qualquer médico terreno. Ele não trata só os sintomas, Ele vai direto na raiz da doença. Ele tomou sobre si o nosso pecado, nossa morte, nossa condenação. Na cruz, como disse o profeta Isaías, Ele carregou as nossas enfermidades e levou as nossas dores. Ali, o Médico dos pecadores entregou a própria vida para nos dar cura completa.

E qual é o tratamento que Ele nos oferece? É a Palavra que anuncia perdão e cria fé. É a água do Batismo, que lava e regenera. É o pão e o vinho da Santa Ceia, que trazem o corpo e o sangue de Jesus como verdadeiro remédio de vida eterna. Não é à toa que já no século II, Santo Inácio de Antioquia chamou a Eucaristia de “remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre.” É isso que recebemos quando nos aproximamos da mesa do Senhor: o próprio Cristo, que cura nossa alma e nos garante a vida que não acaba.

E quando experimentamos essa cura em Cristo, nossa vida muda. Mateus se levantou da mesa de impostos e deixou para trás sua antiga vida. Ele se tornou apóstolo e evangelista, usado por Deus para levar a muitos o mesmo remédio que recebeu. E o Evangelho que ele escreveu continua ecoando até hoje: “Quero misericórdia, e não sacrifício. Pois não vim chamar justos, e sim pecadores.” Assim também nós, curados pelo Médico divino, somos chamados a viver como testemunhas da sua graça. Não como pessoas perfeitas, mas como doentes que encontraram a cura.

A Igreja é esse hospital de graça. Aqui, ninguém é rejeitado. Aqui, não precisamos esconder nossos pecados. Aqui, todos nós somos pacientes que precisam do mesmo Médico. E aqui, nesse lugar, Cristo nos atende de graça, nos perdoa, nos fortalece e nos envia para viver em amor e misericórdia.

É por isso que hoje celebramos São Mateus. Não porque ele foi cobrador de impostos, mas porque foi transformado pelo chamado de Jesus. Celebramos o apóstolo e evangelista que testemunhou que Cristo veio salvar pecadores. E esse mesmo Cristo está aqui hoje, chamando cada um de nós com as mesmas palavras que disse a Mateus: “Segue-me.” Ele não olha para nós com desprezo, mas com amor. Ele nos lembra: eu não vim para os que acham que estão bem, mas para os que sabem que precisam de mim. Eu sou o Médico, e vocês são os doentes que eu vim curar.

Queridos irmãos, vamos voltar à ilustração do começo. Quando alguém está doente, mas insiste em negar, corre o risco de perder a vida. Espiritualmente, acontece o mesmo. Se fingirmos que não precisamos de Cristo, estamos rejeitando o único tratamento que pode nos salvar. Mas quando reconhecemos nossa doença e corremos para os braços do Médico dos pecadores, recebemos cura, perdão e vida nova. E hoje Ele nos chama para a sua mesa, onde o remédio de imortalidade é dado de graça. Vamos com fé, receber esse bálsamo do Evangelho e sair daqui fortalecidos para viver em sua graça. Amém.

E que a paz de Deus, essa paz que vai muito além do que conseguimos entender, cuide com carinho do coração e da mente de cada um de vocês, mantendo-os firmes no amor e na vida que temos em Cristo Jesus, o nosso Médico e Salvador. Amém.

Rev. Filipe Schumbach Lopes
21/09/2025

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Homilia para a Festa do Martírio de São João Batista - 2025 A+D


FESTA DO MARTÍRIO DE SÃO JOÃO BATISTA

Homilia: “Até quando, Senhor?”
Apocalipse 6.9-11

“Que a graça do Senhor Jesus Cristo,
o amor de Deus e a presença do Espírito Santo
estejam com todos vocês!” (2Co 13.13) Amém.

Estimados irmãos em Cristo,

Na semana passada nós celebramos a festa de São Bartolomeu, apóstolo do Senhor. Hoje, celebramos o martírio de São João Batista. Vejam: dois sábados seguidos em que a Igreja fala de sofrimento, perseguição e morte. Dois sábados seguidos em que lembramos homens que foram fiéis até o fim. E o que nós temos a aprender com eles? Muito! Porque a vida deles fala também da nossa vida.

A pergunta que a primeira leitura de hoje, Apocalipse 6.1-5, traz é esta: “Até quando, Senhor?” (Ap 6.10). Foi a pergunta dos mártires que João viu debaixo do altar no céu. É também a nossa pergunta, não é? Até quando esse sofrimento vai continuar? Até quando a dor? Até quando as lágrimas? Até quando as injustiças? Até quando as doenças? Até quando as lutas dentro de casa, as brigas no trabalho, as tentações que não nos largam?

Sim, meus irmãos, essa é a pergunta que brota do nosso coração. Perguntamos isso quando vemos a família em crise. Perguntamos quando a saúde não vai bem. Perguntamos quando olhamos as notícias do mundo e vemos tanta violência. Perguntamos até mesmo quando sentimos o peso do nosso próprio pecado, aquele pecado que insiste em nos prender.

E, às vezes, o coração fica cansado. Porque viver neste mundo não é fácil. Como cristãos, somos chamados a nadar contra a correnteza. Enquanto o mundo diz “não tem problema, todo mundo faz”, nós sabemos que não é assim. João Batista foi preso justamente por isso: porque ele teve coragem de dizer a Herodes que não era lícito viver em pecado. (Mc 6.18) Ele preferiu a prisão e a morte a concordar com o erro.

E nós? Quantas vezes nos calamos? Quantas vezes aceitamos o pecado dentro da nossa casa, no nosso jeito de viver, no nosso falar? Quantas vezes deixamos de testemunhar o que é certo, só para não desagradar, só para não enfrentar? É aí que percebemos que o martírio não é só lá fora, com espada na mão. O martírio começa aqui dentro, no coração. Todos os dias precisamos nos martirizar contra o pecado. Todos os dias precisamos morrer para as tentações. Todos os dias precisamos dizer não à carne, não ao diabo, não ao mundo.

Mas graças a Deus, Cristo não nos deixou presos nesse lamento. A resposta à nossa pergunta “Até quando?” não está no nosso esforço, mas no que Deus já fez.

E aqui vem o consolo: esse martírio já começou no batismo. No batismo nós morremos com Cristo. No batismo já fomos sepultados com ele (Rm 6.3-4). Ali aconteceu o nosso primeiro martírio: morremos para o pecado e nascemos de novo para uma vida com Deus.

E por que isso é possível? Porque Cristo passou por um martírio infinitamente maior por nós. Cristo foi preso, como João. Cristo foi morto, como os mártires. Mas Ele venceu! Ressuscitou! E agora, ele mesmo é quem nos dá a vitória, não pela força do nosso sangue, mas pelo sangue que ele derramou por nós. Ele é o Cordeiro, o Sacerdote e o Rei, e nos une a si no batismo. A nossa vida está escondida nele.

 Isso não quer dizer que agora a vida ficou fácil. Não! Pelo contrário. Ainda lutamos contra o pecado. Ainda caímos. Ainda sofremos. Mas no batismo temos a certeza: já fomos unidos à morte e à ressurreição de Cristo (Rm 6.5).

E aqui está a resposta à pergunta: “Até quando, Senhor?”. Os mártires no céu perguntaram isso. Nós aqui na terra também perguntamos. E a resposta de Deus é esta: até o dia em que o número dos seus filhos estiver completo (Ap 6.11). Até o dia em que todos os eleitos forem reunidos. Até o dia em que Jesus voltar. Até lá, Cristo mesmo nos cobre com a veste branca que já recebemos no batismo. Até lá, Ele nos sustenta com sua Palavra e com sua Santa Ceia.

Hoje, aqui no altar da nossa congregação, já nos reunimos com aqueles que estão debaixo do altar no céu. A nossa liturgia é um ensaio da eternidade, onde a dor não mais dirá “até quando”, porque Cristo já nos responde: “Já estou contigo” (Mt 28.20).

Até lá, ele mesmo nos dá força para continuar testemunhando, como João Batista e como Bartolomeu testemunharam.

E quando a morte chegar? Quando nossos olhos se fecharem, o que vai acontecer? Aqui está a boa notícia do Apocalipse: não é o fim! João Batista foi martirizado. Bartolomeu foi martirizado. Nossos entes queridos também morreram, pessoas que tanto amamos. E se Jesus não voltar antes, algo que nós tanto desejamos, porque queremos que todo sofrimento termine, nós também vamos morrer. Mas essa não será a última palavra.

O Apocalipse mostra: nós não vamos ficar vagando pela terra, nem vamos simplesmente dormir no nada. Nós seremos almas vivas diante do trono de Deus. Almas que louvam, que cantam, que adoram o Cordeiro. Assim como os mártires estão debaixo do altar, também nós estaremos seguros, guardados em Cristo. Isso já é a vitória. Isso já é o descanso.

E um dia, o próprio Cristo nos chamará de volta do túmulo. Assim como ele unirá a cabeça de João Batista ao seu corpo, assim também ressuscitará João, Bartolomeu, você e eu, para vivermos com ele para sempre. O corpo e a alma, reunidos e glorificados, vestidos de branco, na presença do Cordeiro (Ap 7.14).

Por isso, irmãos, quando seu coração clamar: “Até quando?”, ouça a resposta do Cordeiro: “Estou contigo”. E siga firme, porque Ele já te vestiu de branco, já te alimenta com seu corpo e sangue, e logo, muito em breve, te chamará pelo nome. E você ouvirá: “Venham, benditos de meu Pai” (Mt 25.34).

Confiem nisso. Vivam nessa esperança. E sejam fiéis, como João e Bartolomeu foram. Porque o Senhor promete: “Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida.” (Ap 2.10). Amém.

 Rev. Filipe Schuambach Lopes

segunda-feira, 14 de abril de 2025

“Um Rei diferente” – João 12.20-43 | Homilia para o Domingo de Ramos


Em nome de + Jesus, o Bendito que vem em nome do Senhor. Amém.

Jerusalém estava em clima de festa. Era época da Páscoa, e a cidade estava cheia de gente. Pessoas de todas as partes tinham subido para adorar a Deus no templo. E, entre tantos assuntos, um nome se destacava nas conversas: Jesus. O mesmo que havia ressuscitado Lázaro, curado doentes, multiplicado pães e peixes. Agora, ele se aproximava da cidade.

O povo foi ao seu encontro, animado, com ramos de palmeiras nas mãos, gritando com alegria: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!” (Jo 12.13). Era uma cena bonita de se ver. Só que, por trás dessa alegria, havia também muita confusão sobre quem Jesus realmente era.
Afinal, que tipo de rei aquele povo esperava?

Eles queriam um líder forte, que tirasse os romanos do poder. Esperavam alguém que trouxesse liberdade política, segurança, prosperidade para Israel. Sonhavam com um rei vitorioso, com exércitos, um trono e uma coroa. Queriam alguém que resolvesse os problemas do dia a dia — os problemas imediatos da vida: segurança, pão, estabilidade, prosperidade. Alguém que tornasse a nação de Israel grande de novo.

Só que, naquele dia, quem foi o Rei que realmente entrou em Jerusalém?

Jesus veio montado em um jumentinho. Um animal simples, usado por pessoas humildes. Um sinal claro de que Ele não era um rei como os outros. Ele não entra com espadas, mas com mansidão. Não com tropas, mas com humildade. O jumentinho era o animal dos pobres, dos pacíficos. Assim, podemos ver que Jesus não vem para conquistar pela força... não... mas para atrair pela cruz. Ele não entra para ocupar um trono de pedra, mas para se entregar em um madeiro. E, mesmo ouvindo os gritos de alegria, Jesus sabia o que estava por vir. Tanto que ele disse:
“Agora a minha alma está angustiada, e o que direi? ‘Pai, salva-me desta hora’? Não, pois foi precisamente com este propósito que Eu vim para esta hora. Pai, glorifica o Teu nome.” (Jo 12.27-28)
O povo via glória. Jesus via cruz. O povo esperava vitória. Jesus anunciava entrega. O povo gritava “Hosana!” — que quer dizer, como ouvimos no Salmo 118: “Oh! Salva-nos, Senhor, nós te pedimos!” (Sl 118.25). Mas eles não compreendiam que a resposta àquela oração viria de forma dolorosa. Jesus sabia que o caminho diante dEle era difícil. Ele sentia medo, dor, angústia. Ele não escondia isso. Mas, mesmo assim, Ele não fugiu. Ele permaneceu firme, porque veio justamente para essa hora. Para essa missão. Ele veio para nos salvar.

E tudo isso, Jesus fez por nós!

Ele entrou em Jerusalém por mim e por você. Cada passo daquele jumentinho o levava mais perto do Gólgota. Cada “Hosana” gritado pelo povo soava, para Jesus, como um eco do “Crucifica-o” que viria em poucos dias. Mas Ele não recuou. Mesmo angustiado, não fugiu. Mesmo sendo o justo, não se justificou. Mesmo sendo Senhor, Ele se fez servo.

Amados, Jesus está entrando em Jerusalém. O Rei está chegando à cidade santa. Os ramos se agitam. As pessoas cantam. Tudo parece triunfal.

E é fácil seguir um Rei que entra assim. Um Rei recebido com festa, com honra, com alegria. Um Rei que parece forte, vitorioso, invencível.

Mas... e quando o Rei chora?
E quando o Rei está angustiado?
E quando Ele se cala diante da injustiça, quando Ele permite ser traído, julgado e condenado?
Quando Ele não se defende? Quando Ele se entrega?
Você seguiria um Rei assim?

É difícil crer num Rei que vai morrer.
É difícil confiar quando o caminho dEle vai na direção da cruz.

E, ainda assim, esse mesmo Rei nos convida:
“Se alguém me serve, siga-me.” (Jo 12.26)
Seguir Jesus é aceitar caminhar com ele mesmo quando o caminho leva à cruz. É continuar ao lado dEle quando a multidão se dispersa. É confiar, mesmo quando tudo parece escuro. E é preciso coragem para isso. Seguir Jesus é dizer: “Senhor, eu não entendo tudo, mas eu confio em ti. Eu vou contigo.”

Mas vale a pena. Porque esse Rei que vai à cruz é o mesmo que nos atrai com amor. Ele mesmo disse:
“E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim.” (Jo 12.32)
Esse “ser levantado” é a cruz. É o momento mais vergonhoso aos olhos do mundo, mas o mais glorioso aos olhos do céu. É ali - no levantar da terra - que Cristo atrai você. É ali que ele responde ao seu “Hosana!”. É ali que ele te salva. A pedra que os construtores rejeitaram — como vimos na semana passada — tornou-se a pedra angular (Sl 118.22). É sobre ele que tudo se sustenta. E isso “é maravilhoso aos nossos olhos” (v.23).

Por isso, nesta Semana Santa, somos convidados a parar. A silenciar o coração. A olhar com mais atenção para esse Rei. A deixar as vozes do mundo e as falsas expectativas de lado e ouvir de novo o chamado dEle. Esta é a semana em que Jesus caminha rumo à cruz. E Ele não vai sozinho — Ele convida os seus a segui-lo. Ele nos convida a caminhar com ele, passo a passo, até o Calvário. Porque é lá que acontece o que pedimos quando oramos “Hosana”. É lá que somos salvos.

E, em breve, na liturgia da Santa Ceia, cantaremos de novo: “Hosana nas alturas!”. E, ao cantarmos, não estaremos apenas repetindo uma tradição litúrgica. Estaremos fazendo uma petição – um pedido. Estaremos clamando: “Oh! Salva-nos, Senhor, nós te pedimos!”. E este Rei, o mesmo que entrou em Jerusalém por nós, é o mesmo que vem ao nosso encontro aqui e agora, na Palavra, no Santo Sacramento de sua Ceia, na comunhão da Igreja. Ele responde ao nosso clamor, não com promessas vazias, mas com a entrega do seu próprio Corpo e Sangue.

Este é o dia que o Senhor fez. Alegremo-nos e exultemos nele (Sl 118.24), pois o Rei chegou. E ele veio para salvar. Não como esperávamos, mas como precisávamos. E porque ele foi até a cruz, agora podemos ter certeza: nosso “Hosana” foi ouvido.

Que, nesta semana, você tenha coragem. Coragem para seguir o Rei que vai à cruz. Coragem para reconhecer que é ali — e só ali — que encontramos a vida verdadeira. E que, ao chegarmos à Sexta-feira Santa, possamos lembrar: tudo isso foi por nós. Tudo isso foi por amor.

Que o Senhor nos abençoe com fé, arrependimento e coragem. Que assim seja. Amém.

+ Rev. Filipe Schuambach Lopes
13/04/2025